A chuva hoje resolveu cair aqui na cidade. Ruas alagadas, arco-íris nas estradas e a falta de energia repentina. O mundo calou-se e eu pude convocar minha playlist para ouvir com clareza as inebriantes Canções de Apartamento. Sim, ganhei um celular. Sou mais um usuário perdido em aplicativos. Também perdi um amor. Sou mais um arrependido nesse inverno inesperado. Eu já disse que nesse intervalo muita coisa aconteceu?
Ela está aqui. Minha velha amiga angústia está aqui. Ruffe também está aqui. E tropeçando pela área do último andar, ele não para de latir. Ele não para de me seguir. As pulgas não oferecem o alento que seus olhos úmidos imploram. Eu entendo essa falta do que faz falta. Angustiado nessa laje fica fácil entender o sorriso bobo do casal que acabou de fechar a porta. E espero que ninguém me compreenda neste parágrafo.
A chuva sem ventania intensifica o marasmo e ocasiona essa aflição aqui na alma. Segurar uma dinamite no peito dói. Ruffe me olha como se entendesse o que estou sentindo. Dá um pulo, apoia suas patas pesadas em minha barriga e diz, em silêncio, que meu sorriso faz falta.
Por que me sinto assim? Logo eu que respeito a vida e sei que não devemos perder a cabeça na primeira dificuldade? É... acho que já entendi o que há. Aos poucos tento encarar os fatos. Vou me munindo com o escudo de criatura fria e dura na queda que criei. Pela primeira vez mexi com o famoso amor e experimentei a tortura que a Taylor Swift expõe em suas composições. E como essa tortura não servirá como base para um próximo hit, devo soltar esta caneta, permitir que meus pés toquem o chão e acreditar, de uma vez por todas, que o destino desse sentimento é lamentavelmente uma eterna e dolorosa lembrança.

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