Textos

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Da minha janela


Falta muito. Tenho muito o que vivenciar. Aquela lágrima? Fez parte do processo. Processo este que acabou de começar. Ainda me restam alguns muitos horizontes para expandir. Sinto a excitação das minhas células ainda juvenis em cada ampla visão que as minhas janelas me proporcionam. Os prédios, as luzes coloridas, a brisa noturna, as árvores sorridentes dos invernos inesperados...  Carrego dezenove anos e uma mochila de idealizações que parecem irrealizáveis. O coração não aceita.

Eventualmente, em meio a invariáveis fins de tardes, me posiciono para admirar a pintura periférica e convidativa que se dispõe diante dos meus olhos.  A rua vazia desencadeia um silêncio absoluto e lufadas de vento se comportam junto aos vidros do segundo andar. Observo a ventania vagante que vasculha as bandeirolas juninas - já esquecidas - e os postes longínquos que iluminam o fim de linha rodoviário. Surge a dor. A calmaria. A amargura...

O desejo de liberdade se descontrola e o espírito se manifesta pela vontade de viver, pelo momento de sentir. Quero gritar, quero correr, quero pular, quero saber. Quero bebidas, conversas da madrugada, abraços de desconhecidos e semáforos liberados. Quero pisar em poças de lama, quebrar lâmpadas fluorescentes e vomitar em caminhonetes. Quero um amor de novela, uma mancha de aventura, uma mala de dinheiro e um sorriso verdadeiro. Quero tudo, muito mais e uma vida que valha a pena. Porque no fundo, entre sonhos e realidade, eu só quero é ser feliz.

Nenhum comentário:

Postar um comentário