18/06/2014
Sigilosamente, sem o manifesto dos passos, eu me aproximo do menino debruçado no muro. Sua cabeça erguida aprecia o céu e seus olhos lacrimejantes denunciam a ligação melíflua e comovente que ele tem com as estrelas. É aconselhável me dispor ao desabafo? Sinto seus anseios, suas dúvidas. Sinto suas preocupações, seus medos. Sua ansiedade é seu grito contido. Ele me olha. Me toca. Me abraça. Suas pupilas dilatadas me elevam a um estado inebriante do psicológico. Esse momento de transição me faz cair em djavú. Uma viagem pelo meu corpo. Pela minha mente. Pela minha alma.
Aquele garoto sou eu.
O grito estridente já não se contém e o céu se rasga diante das minhas lágrimas. Deus existe! E de repente, tudo perde os sentidos e o vento se lança em pedaços sobre meu rosto. A nostalgia entra em cena. Lembro da casa azul, vazia. O pé de bananeira. As orações da minha mãe.
Eu me encontrei no arrepio de um encontro e o garotinho ainda está aqui. Estava. O seu futuro, prometo, será diferente. Me perdoe, não chore mais. Eu te respiro. Te escuto. Te sinto.
Eu te amo.

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