Textos

sábado, 12 de outubro de 2013

Mergulhando na esperança




Ontem pela manhã, enquanto me equilibrava entre passos e páginas de um livro, caminhando pelos corredores do colégio, me peguei na tentativa de desvendar o futuro. Será que a experiência de voltar ao tempo da escola me faria bem? Senti vontade de falar sobre o ensino fundamental/médio e suas dificuldades (tanto na fixação das matérias quanto na tentativa de convivência com desconhecidos).

Pelo que ouço dos mais velhos, tudo isso se tornará marcante. Ainda estou no colegial, mas apesar das críticas, sei que futuramente terei saudades. Até me arrependerei das aulas cabuladas para conversar no pátio. Acredito que as situações, por mais dificultosas que sejam, sempre nos transmitem algo bom.  

Em relação ao colégio, eu sei que um dia, já mergulhado no conturbado mundo dos adultos, sentirei falta. Falta dos professores, das cadernetas de chamadas, das carteiras, e, surpreendentemente, dos grupinhos barulhentos do fundão que comentam da novela, dos gols que seus times fizeram e das dificuldades em trigonometria.

No tempo que escrevo, recordo de tudo que vivi. Lembro de cenas passadas e duvidosamente irrepetíveis, e percebo que nem tudo foi "mamão com açúcar". Nem tudo era sobre reclamar das provas de Física ou aturar o engarrafamento de vozes no fundo das salas. 

Lembro do quão difícil foi fazer provas de recuperação de matemática na oitava série, quando ainda jurava que nunca iria participar dessa "reunião de perdedores". Lembro das notas baixas que ganhei por me aventurar num estágio que me rendeu estresse e falta de remuneração. Lembro das piadinhas que sempre ouvi por sentar com as meninas e por usar perfumes baratos (lembrança mais dolorosa).

Estou quase saindo do ensino médio e isso me avisa que já já estarei afogado no mundo dos adultos. Logo mais não estarei segurando livros pelos corredores, respondendo "presente" na hora da chamada ou conversando com Dona Núbia, a bibliotecária do colégio (que se diverte me contando as trapalhadas do seu papagaio).


Acho que cheguei a uma conclusão. Voltar no tempo e reviver o passado não me parece atrativo. Voltar no tempo significa reviver momentos que, por muitos anos, lutei para esquecer.

Prefiro aceitar os caminhos que os novos ventos me levarão. Prefiro entrar no mundo dos adultos com uma máscara de mergulho e conhecer, minuciosamente, a fascinante vida que ainda existe no fundo do mar.

2 comentários:

  1. Adorei o texto. Ele atiçou minha curiosidade para ler o livro da Bruna, parece ser bom.
    Belo texto :3

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    1. Sim, leia, leia. Eu até já terminei e espero o 3° livro ansiosamente. rs

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