Textos

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Breves relatos de um fim de semana.

Frequentemente tenho publicado textos que relatam dias exaustivos e entediantes. Antes que imaginem minha vida preenchida por lágrimas desenfreadas ou lâminas nos pulsos, saibam vocês que eu também tenho motivos para sorrir. Eu não sou um amargurado da primeira idade que se sente preso num maçante, frio e escuro calabouço. No momento, vasculhando rapidamente a minha confusa e desordenada memória, não creio que eu me sinta assim. Ou talvez esteja dizendo isso pra deixar o texto mais bonito. Nem eu sei. Apenas escrevo.

Apesar do céu acinzentado e da vontade de acordar às dez, hoje fui ao colégio totalmente zen, exalando um aroma puro de pensamentos otimistas por aí. Nem a falta de aula no primeiro horário, nem o aflitivo dedo de um colega que sentou atrás de mim "precisando urgentemente de um celular" conseguiram tirar meu riso frouxo e a vontade de dançar daquele jeito que só dançamos quando sabemos que estamos sozinhos.


Tudo começou no último dia cinco.  Após meses de marcações e promessas de "no próximo fim de semana com certeza", finalmente passei o sábado com alguns amigos, como ainda não tinha feito.  Aí já sabe: amigos espontâneos reunidos só pode resultar em gargalhadas, confissões e pagações de micos. Tendo amigos como os meus, acontecimentos como esses nem precisam de previsões.


Fomos à pizzaria.  Comemos, bebemos, fizemos críticas à qualidade das massas e eu, entre um riso e outro, percebi o quão irresponsavelmente felizes somos quando estamos na companhia de pessoas queridas. Até mesmo um sinal com as mãos, na tentativa de chamar o garçom, torna-se um acontecimento propício para uma súbita gargalhada, resultante de olhos lacrimejados e dores no estômago. Foi um belo fim de tarde. Já devíamos ter feito isso antes. Já preciso repetir a dose, sair novamente, comer sem pagar a conta e voltar pra casa com os cantos da boca nas orelhas.


No dia seguinte, no domingo, pude me alegrar por mais alguns minutos: além de passar grande parte do dia sozinho (e eu amo ficar sozinho!), minha tia me presenteou com um livro de crônicas que eu desejava há meses! O livro está aqui, ao meu lado, com seu cheiro de novidade e eu nem acredito que meus dedos já podem se tocá-lo carinhosamente na textura da capa. Parece um sonho! E se for sonho, não quero acordar tão cedo.
Posso levantar às 10h?

6 comentários:

  1. Conseguir viver intensamente, tanto os momentos de alegre agitação com os amigos, quanto o recolhimento a sós com um livro - é o sinal de uma riqueza interior, eu diria: a preciosidade da alma. Associar tudo isso ao talento de escrever e, paradoxalmente, com uma pitada de melancolia, dá nisso: a leitura de seus textos é muito gostosa.

    Forte abraço!

    ResponderExcluir
  2. Nossa, que coisa linda suas palavras! Como descreveu algo que pareceria ser um dia qualquer foi incrível. Estou feliz por ter parado pra ler seu texto, e com certeza lerei mais. Ganhou mais uma fã, parabéns! =) - (Blog)

    ResponderExcluir
  3. Me identifiquei com o texto, e lendo cada frase fui lembrando dos momentos com meus amigos e como qualquer coisa vira motivo de risada e um acontecimento pode ser lembrado pelo resto da semana. E os micos? São os melhores!
    Você escreve muito bem e conseguiu arranca uma risada minha nesse dia tão cinza. Obrigado *--*

    ResponderExcluir