Agora são exatamente 16:58 e cá estou eu, na varanda do
segundo andar me esforçando para perceber peculiaridades nunca observadas sobre
mim mesmo. Mas será que mudei tanto
ao longo desses anos? Acho que não. O tempo não me mudou. Quer dizer,
não completamente. Apesar da barba que
ganhei, eu continuo sendo aquele mesmo garoto fascinado por sereias, que vomita
em transportes públicos e evita falar ao telefone. Continuo rejeitando cebolas, detestando
visitas inesperadas, e o meu filme predileto continua sendo Matilda.
Confesso que não gosto de futebol, não gosto de festas de aniversários e
me incomodo com quem fala alto. Aliás, é
muito fácil perceber que a quantidade de coisas que eu não gosto é bem maior que a
quantidade de coisas que eu gosto. E calma, eu não quero soar como um pirralho irritante. Pode parecer clichê, mas eu procuro me
sentir bem com as pequenas coisas da vida.
Estou buscando aproveitar aqueles momentos passageiros e menos
valorizados que nos fazem sorrir por alguns instantes, sabe? Acredito que no fim das contas isso me faça
feliz. Não dizem que a felicidade dura
pouco?
Eu não me incomodo com Seu Chico, meu vizinho carpinteiro que pinta seus
móveis na porta de casa e faz da calçada uma verdadeira parada gay. Eu não me incomodo com o cheirinho do perfume
barato de uma desconhecida que acabou de atravessar a rua. Ou não
me incomodo com o gatinho pentelho que está neste momento pulando os telhados
da minha casa. Por que não me incomodo? Porque esses são um dos poucos e especiais minutos da minha vida. Porque estou sozinho numa casa vazia tendo a
oportunidade de poder meditar, refletir sobre a minha existência e organizar as minhas
ideias. Porque esse é o agora que me comove.

Gostei do texto e me identifiquei muito com uma frase sua: "Aliás, é muito fácil perceber que a quantidade de coisas que eu não gosto é bem maior que a quantidade de coisas que eu gosto."
ResponderExcluirCompletamente certa (:
Yes, momento verdades. ♥
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