Textos

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

O agora que me comove



Agora são exatamente 16:58 e cá estou eu, na varanda do segundo andar me esforçando para perceber peculiaridades nunca observadas sobre mim mesmo. Mas será que mudei tanto ao longo desses anos?  Acho que não. O tempo não me mudou. Quer dizer, não completamente. Apesar da barba que ganhei, eu continuo sendo aquele mesmo garoto fascinado por sereias, que vomita em transportes públicos e evita falar ao telefone. Continuo rejeitando cebolas, detestando visitas inesperadas, e o meu filme predileto continua sendo Matilda

Confesso que não gosto de futebol, não gosto de festas de aniversários e me incomodo com quem fala alto. Aliás, é muito fácil perceber que a quantidade de coisas que eu não gosto é bem maior que a quantidade de coisas que eu gosto. E calma, eu não quero soar como um pirralho irritante. Pode parecer clichê, mas eu procuro me sentir bem com as pequenas coisas da vida.  Estou buscando aproveitar aqueles momentos passageiros e menos valorizados que nos fazem sorrir por alguns instantes, sabe? Acredito que no fim das contas isso me faça feliz. Não dizem que a felicidade dura pouco?

Eu não me incomodo com Seu Chico, meu vizinho carpinteiro que pinta seus móveis na porta de casa e faz da calçada uma verdadeira parada gay.  Eu não me incomodo com o cheirinho do perfume barato de uma desconhecida que acabou de atravessar a rua. Ou não me incomodo com o gatinho pentelho que está neste momento pulando os telhados da minha casa. Por que não me incomodo? Porque esses são um dos poucos e especiais minutos da minha vida. Porque estou sozinho numa casa vazia tendo a oportunidade de poder meditar, refletir sobre a minha existência e organizar as minhas ideias. Porque esse é o agora que me comove.  

2 comentários:

  1. Gostei do texto e me identifiquei muito com uma frase sua: "Aliás, é muito fácil perceber que a quantidade de coisas que eu não gosto é bem maior que a quantidade de coisas que eu gosto."
    Completamente certa (:

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