Textos

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Aquele colega


Cheguei cedo no colégio e estou com o primeiro horário vago, seria aula de português. Sempre atento ao meu redor e segurando uma caneta, eu agora me sinto um investigador, um detetive. Cada palavra, cada ato, cada gesto, cada vestígio... eu estou de olho. Me sinto como se tivesse voltado à infância. E quer saber? Isso não me incomoda nem um pouco. É tão divertido.

Decidi marcar no papel todos aqueles mínimos acontecimentos do nosso cotidiano que, na grande maioria das vezes, nem lembramos no dia seguinte. Sem falar que isso pode acabar gerando ótimos posts. É unir o útil ao agradável.


Agora mesmo, por estar totalmente desocupado numa sala de aula, eu resolvi escrever sobre "aquele" colega. Como não posso divulgar seu nome, o chamarei de Arthur. Ele está no canto superior esquerdo da sala - e eu, no direito.  Com um celular na mão e bocejando o tempo todo, Arthur está com cara de pouca coragem pra enfrentar mais uma segunda-feira. E nem sentou próximo aos outros colegas, como de costume. Que interessante.  Acho que nunca dei importância praquele menino. Apesar de sermos da mesma turma, nunca conversamos por mais de um minuto e sempre foram assuntos referentes ao colégio. Antes que pensem... não, eu não quero nenhum tipo de contato amigável com ele.  Mas, será que daqui há algum tempo (digo, após o término do ensino médio talvez), ele me fará alguma falta? Não acredito que isso venha a acontecer, mas também não diria que é impossível. Sei lá, acho que nos acostumamos com a rotina, com as pessoas e com a posição dos móveis.


Onde andará Arthur daqui a alguns anos? Estará trabalhando, ainda estudando, ou quem sabe, terá morrido? Provavelmente não saberei. Mas com certeza o dia de hoje sempre será lembrado. Eu escrevi sobre ele. Se fosse de outro jeito, amanhã talvez eu nem lembrasse dos bocejos ou da forma que o Arthur balança a cabeça seguindo o ritmo da música que toca no seu fone de ouvido. Este momento sempre me acompanhará, mesmo que eu esteja com 30 anos, 50 anos, 70 anos ou seja imortal.


E agora, se me dão licença, o segundo horário já bateu e eu preciso correr pra sala de espanhol. Xi, esqueci o livro em casa. 

2 comentários:

  1. adorei o post, agora percebi que tenho um arthur na minha sala :)

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    1. Eu adoro quando recebo comentários desse tipo. Eu adoro quando as pessoas dizem que os meus textos fazem sentido em suas vidas de alguma forma.

      Muito obrigado pelo reconhecimento e pelo comentário.

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