Textos

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Parabéns pra mim

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Hoje é o meu aniversário. Esplendor dos dezenove anos. Mas é sério isso? Eu tenho dezenove anos? Caramba, bem que dizem que a vida é curta. Foi num dia desses que eu estava encostado no sofá assistindo Barney e Seus Amigos com os meus irmãos. Foi num dia desses que eu chorei por ter perdido alguns tazos, cards e figurinhas e insisti pela luz acesa, temendo a presença de um monstro embaixo da minha cama.

Há dezenove anos eu vivi e respirei momentos, histórias e situações tristes, felizes e outras nem tanto. Uma série de eventos e acontecimentos que resultaram em exclamações do tipo: “Uau, como você cresceu!” ou “Nossa, você já é um homem!”. Eu ainda estou num dos primeiros ciclos de sobrevivência. Do meu ciclo de sobrevivência.

Entre raivas, perdas, risos, gritos e gargalhadas eu estou aqui. Me sinto vitorioso por ter chegado onde cheguei e por ter me tornado o que me tornei. Encarar a infância e a juventude e não me tornar uma das piores pessoas do mundo é motivo de muito orgulho pra mim. É motivo de muito orgulho pra minha vó.

Em dezenove anos eu passei de um menino magro, sorridente e integrante de corais evangélicos para um internauta cético, sarcástico e que detesta acordar efusivo cumprimentando o mundo ao seu redor. A magreza continua. Também deixei de pensar que homem bonito é homem malhado. Hoje sou sedentário, aceitei que odeio lavar o cabelo e passei a gostar de pés-de-moleque. Ouço Lana Del Rey, continuo roendo as unhas e cansei de ver Looney Tunes. Talvez eu nem tenha mais paciência pro Barney e Seus Amigos. Talvez eu ainda encontre tazos enterrados em meu quintal.

Quando pequeno eu costumava imaginar uma vida perfeita aos dezenove anos. Eu dizia que faria/seria diferente dos garotos dessa faixa que eu observava na época. Eu imaginava uma realidade completamente diferente dessa minha atual realidade. Escrever num blog, por exemplo, jamais faria parte dos meus planos. Não mesmo. O tempo me ensinou que a vida não é fácil e que nem sempre temos o que queremos.

Sinto saudades da infância. Mesmo quando criança, enquanto brincava de esconde-esconde atrás do pezinho de pitanga na varanda da minha vó, eu já sabia que crescer não seria tudo de bom. Eu ouvia comentários da tevê, comentários dos adultos e hoje vejo que todos tinham razão. Tudo fez sentido. Hoje eu fantasio menos. Hoje não sou mais tão devaneador. Aos cinco anos eu quis invadir o Sítio do Pica pau Amarelo, me infiltrar no Reino das Águas Claras e resgatar Narizinho de um casamento com o Príncipe Escamado. Aos sete anos minha única preocupação era juntar alguns amigos, formar uma boy band e estourar nas rádios brasileiras. Aos treze eu quis morar em São Paulo, comprar uma casa de luxo e brilhar em novelas da Rede Globo. Percebe-se que nada disso deu certo. Deixei de ser um sonhador lunático e aprendi que o agora precisa de atenção. E qual é o meu agora? Uma grafite quebrada, um guarda-roupa bagunçado e a esperança de uma nota dez em Física. Mas estou feliz? Estou. E é o que importa.

Hoje é o meu aniversário. Nunca mais farei dezenove novamente. Hoje é dia de comemorar. Hoje é dia de festejar. Pois bem, eu agora vou dançar. Dançar sozinho, em casa. Vou curtir o meu presente, vou viver a juventude. Esse momento será uma lembrança suficiente pra me fazer sorrir de satisfação em qualquer atraso de ônibus ou fila de banco conturbada. Parabéns pra mim. Parabéns pra você. Parabéns pra esse dia único.

*Ao som de Velha e Louca*

4 comentários:

  1. Parabéns!! Tipo dezenove não e fácil!!!

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    1. Obrigado. Sim, vamos esperar as histórias e experiências desses dezenove anos. ♥

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  2. TEXTO ÓTIMO! rsrsrs. E a musica da Mallu é perfeita, perfeita para dançar sozinho e se equilibra numa corda bamba invisível.
    Parabéns atrasado e como dizem: "tudo de bom" (:

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