
Sou do tipo que cria metas e é obstinado a atingi-las. Minha última meta excêntrica foi a aquisição do meu primeiro sex toy. Uma metinha erótica, digamos. E para minha surpresa, conquistei muito rápido. Ganhei meu primeiro massageador de próstata, presente de um amigo virtual. Mesmo sem ter me visto pessoalmente, prometeu me enviar lá de Uberlândia. Um garoto muito gentil, diga-se de passagem. Passei dias aguardando a entrega e finalmente chegou, numa tarde de chuva. Disseram que o entregador estava encharcado. Minha tia recebeu por mim e guardou a caixa antes de me entregar. Felizmente o brinquedo veio discreto e muito bem lacrado, pois certamente ela tentaria violar a caixa para matar a curiosidade.
Fiquei eufórico de tanta alegria. Fiz vídeos e mandei áudios para mostrar o quanto eu estava agradecido. E não via a hora de me fechar no quarto para introduzir aquele troço dentro de mim.
Higienizei, pus uma camisinha e pinguei lubrificante para facilitar. O troço de metal entrou, gelado. Um objeto novo, curvado, acomodado perfeitamente dentro de mim. De início foi estranho. Balancei o quadril e o senti preso. O que mais eu poderia fazer? Não sentia nada. Que decepção. Por sorte, meu dinheiro não foi gasto. Desisti, lavei, guardei no armário.
Dali em diante pensei que o massageador só serviria para assustar minha mãe. Eu jamais o esconderia como quem enterra cadáveres. É meu, ela que não fuce minhas coisas. Não me afogo em constrangimentos como André, personagem do Reynaldo Gianecchini em S.O.S. Mulheres ao Mar. O coitado passa vergonha no aeroporto com dildos e vibradores pulando de sua mala recheada. Cena clássica de filme de comédia.
"Nunca mais usarei", pensei. "Que desperdício! Foi dinheiro jogado fora." Acreditei nessa mentira até o segundo mês da quarentena. Me vi isolado, ansioso, rodando pela casa igual o Lebowski, mastigando a criatividade para descobrir algo que me entretesse. Streamings eram mais do mesmo, o noticiário me deixava aflito e o distanciamento social só aumentava.
Masturbação convencional já não servia: eram mãos cansadas, pênis fraco e muito tédio. Não teve jeito. Abri o armário e decidi dar mais uma chance pro presentinho. Introduzi novamente e deitei na cama. Senti a haste pressionar o períneo. Fechei os olhos e elevei a pélvis. Me movi lentamento e pensei em todos os homens que me excitavam. Uma corrente de tesão tomou conta do meu corpo gradativamente. Fiquei ereto, sem encostar no pênis. Meus pelos se arrepiaram e gozei, delirando. Um gozo leve, calmo.
Fiquei inerte, suado, ainda de olhos fechados. Era tudo que eu precisava. Senti o massageador escorregar para fora do meu corpo e me arrependi por tê-lo subestimado. Saí do estado Lebowski para Emma Stone do Easy A, efusivo dentro de casa. Só tenho elogios ao massageador prostático e um segundo agradecimento ao amigo distante que me ajudou a desanuviar.
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