
Sexta-feira, trinta de agosto de dois mil e treze. O céu está cinza. É um daqueles silenciosos, nublados e previsíveis dias do ano onde ninguém sente vontade de sair da cama. Um daqueles dias onde necessitamos de mais algumas horas pacíficas debaixo do cobertor, observando as paredes do quarto que, como resultado do tempo chuvoso, estão frias. A cadelinha da família se distrai e corre pela casa com uma pequena bolinha azul, garantindo ser a única habitante feliz e disposta da cidade. Nos jornais, a economia brasileira cresce 1,5% no segundo trimestre do ano e a greve dos rodoviários ainda é discutida.
Eu abro os olhos, lembro que não haverá aula e continuo recolhido, sentindo aquela brisa tão mais intensa que a da última vez. Em pensamentos estou voltando a 2005. Exibição inédita da novela Alma Gêmea na televisão e eu lá, fascinado pelo amor de Serena e Rafael, torcendo por um final feliz. Terceira série do ensino fundamental e a minha primeira desilusão amorosa. Uma nostalgia que me faz rir, mas que me recorda de uma época marcada por muito choro e pouco ânimo. Primeiro amor, sabe?
É incrível comparar o passado com o presente e ponderar sobre o que será que o futuro nos reserva. Passaram-se oito anos e eu já não vejo mais TV. Passei a gostar do meu corpo, fiz tratamento contra acnes e decidi que odeio dias de Domingo. O meu amor de infância? Perdi contato. Soube que hoje é mãe e ganhou alguns quilinhos a mais. Enquanto isso eu fico aqui, escrevendo num caderno velho, criando coragem para levantar da cama e preparar um copo de café com leite bem quente. Eu amo café.
Gostei.
ResponderExcluirE me identifiquei com você, minha primeira paixão também foi na terceira serie,não foram lá bons tempos.
Café <3
<3
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